Sarah Winter, ativista política apoiadora do governo do Bolsonaro, durante entrevista. Ela foi presa na semana passada em opera??o que apura financiamento de atos antidemocráticos © Sérgio Lima/Poder360 Sarah Winter, ativista política apoiadora do governo do Bolsonaro, durante entrevista. Ela foi presa na semana passada em opera??o que apura financiamento de atos antidemocráticos

A ativista bolsonarista Sara Winter recebeu jornalistas em sua casa nesta 6a feira (26.jun.2020) depois de receber autoriza??o para deixar o presídio feminino de Brasília. Ela foi alvo da opera??o Lume da PF, que apura o financiamento de atos antidemocráticos.

Aos repórteres, Sara disse que n?o fez nenhuma amea?a ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

“Na verdade, eu n?o fiz nenhuma amea?a ao ministro aqui citado. Depois de 1 momento em que minha privacidade foi violada, em situa??o de forte emo??o, eu disse ‘se eu estivesse em S?o Paulo, eu queria saber onde é o condomínio dele, porque eu iria lá e eu queria convidá-lo para trocar socos comigo’. Eu acho que você fazer 1 convite n?o é uma amea?a.”

Moraes autorizou mandados de busca e apreens?o contra 29 bolsonaristas no ambito de outra investiga??o, ligada ao inquérito das fake news. Sara foi 1 dos alvos.

No mesmo dia, a ativista publicou 1 vídeo em que, além do “convite” à troca de socos, disse: “A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem s?o as empregadas domésticas que trabalham para o senhor, a gente vai descobrir tudo da sua vida”.

Assista (1min18s):

Repetir vídeo

Ela foi questionada sobre o trecho nesta 6a (26.jun), mas os assessores interromperam a entrevista e Sara Winter n?o chegou a comentar o assunto diretamente. A ativista também n?o respondeu às perguntas da PF sobre o vídeo.

Entenda o caso

Sara Winter é uma das líderes do movimento conservador “300 pelo Brasil”. Ela e outras 5 pessoas tiveram pris?o temporária decretada por Alexandre de Moraes em 15 de junho.

Outra lideran?a do movimento, o jornalista Oswaldo Eustáquio, foi preso no ambito da opera??o Lume nesta 6a feira. Ele foi localizado na fronteira contra o Paraguai e detido em Campo Grande (MS).

O grupo montou acampamentos em Brasília, que foram desmontados pelo governo local. Eles amea?aram invadir o Senado Federal e a simularam 1 bombardeio em frente ao STF com fogos de artifício.

Em outro ato, em 30 de maio, os ativistas usaram máscaras e carregavam tochas em uma marcha em dire??o à Corte. O ato reuniu cerca de 30 pessoas. Os participantes gritavam palavras de ordem: “Viemos cobrar, o STF n?o vai nos calar” e “Careca togado, Alexandre descarado”.

O Ministério Público diz que há indícios de que o grupo estava captando recursos financeiros para a??es que se enquadram na Lei de Seguran?a Nacional, objeto do inquérito (no 4.828), aberto em 20 de abril.

Sara afirmou nesta 6a feira que o movimento só recebe dinheiro de pessoas físicas e de forma espontanea. Ela negou qualquer financiamento por empresas ou de forma ilegal.

A ativista também negou que o grupo seja antidemocrático:

“Obviamente eu nego qualquer participa??o minha ou de qualquer outro membro do 300 do Brasil em qualquer ato antidemocrático. Pelo contrário, nós lutamos por liberdade. Os princípios do 300 pelo Brasil s?o a recupera??o da soberania nacional, a plena triparti??o de poderes, o respeito ao pacto federativo, o extermínio da corrup??o e a criminaliza??o do comunismo, que é uma ideologia que já matou mais de 600 milh?es de pessoas”.

Sara Winter está usando uma tornozeleira eletr?nica. De acordo com a decis?o de Moraes, a ativista só pode deixar sua casa para trabalhar ou estudar, com autoriza??o da Justi?a. Ela também deve manter distancia mínima de 1 quil?metro do Congresso Nacional e do STF.

Winter apoiou uma placa com os dizeres “presa política” no aparelho. Veja os registros do repórter fotográfico do Poder360, Sérgio Lima:


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